A Via Láctea continua no espaço sideral, mas desaparece dos atlas linguísticos / The Via Láctea (‘milky way’) continues into outer spaces, but it disappears from the linguistic atlases

Vanderci Andrade AGUILERA (UEL/CNPq)

Resumo


RESUMO: Neste artigo, analisamos a presença, a frequência e a distribuição das variantes léxicas para denominar a Via Láctea nas cartas dos Atlas linguísticos do ParanáALPR (AGUILERA, 1994) e do Mato Grosso do Sul – ALMS (OLIVEIRA, 2007), bem como nos registros inéditos do Atlas linguístico do Brasil referentes a ambos os estados – ALiB-PR e ALiB-MS. Os dados demonstraram que: (i) a criação popular é muito fértil em associações mentais para atribuir nomes aos fenômenos da natureza dos quais o informante desconhece a nomenclatura padrão ou culta; (ii) pelo fato de as novas gerações não se deterem mais na observação do céu e dos astros, os índices de abstenção foram altos tanto nos dois trabalhos do MS como nos dados do ALiB-PR, mas não no ALPR; (iii) quanto às semelhanças entre os quatro corpora, verificamos que apenas duas formas são comuns a eles: caminho de Santiago e cruzeiro do sul; (iv) a religiosidade é muito marcante no ato de denominar a Via Láctea, seja buscando nomes do hagiológio romano, seja recorrendo a nomes bíblicos.

PALAVRAS-CHAVE: Via Láctea. Criação popular. Atlas linguísticos.

  

ABSTRACT: In this paper, we analyze the presence, frequency and distribution of lexical variants to name the Milky Way (‘Via Láctea’) in the reports of the Atlas Linguísticos do Paraná (‘Linguistic Atlases of Paraná’) – ALPR (AGUILERA, 1994), and of Mato Grosso do Sul – ALMS (OLIVEIRA, 2007), and in the unpublished reports of the Atlas Linguístico do Brasil (‘Linguistic Atlas of Brazil’) – ALiB-PR and ALiB-MS. The data showed that: (i) mental associations are very productive to name nature phenomena of which speakers are unaware of standard nomenclature; (ii) since younger generations no longer do sky and star observation, abstention rates were high in both data from MS and in data from ALiB-PR, but not in ALPR; (iii) as for similarities between the four corpora, we find that only two common forms among them: caminho de Santiago (‘Santiago way’) and cruzeiro do sul (‘Southern cross’); (iv) religiosity is remarkably productive in naming the Milky Way (‘Via Láctea’), either by names from the Roman hagiology or by biblical names.

KEYWORDS: Via Láctea (‘Milky Way’). Popular creation. Linguistic atlases.


Texto completo:

PDF - P. 74-87

Referências


REFERÊNCIAS

AGUILERA, Vanderci de Andrade. Atlas Linguístico do Paraná. Curitiba: Imprensa Oficial do Estado, 1994. 2 v.

ALMOYNA, Julio Martínez, Dicionário de Espanhol-Português. Porto: Porto Editora, 1984.

ARAGÃO, Maria do Socorro Silva de; MENEZES, Cleuza Bezerra de. Atlas Linguístico da Paraíba. Brasília: CNPq, Universidade Federal da Paraíba, 1984.

CALDAS AULETE. Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1964. 5 v.

CARDOSO, Suzana Alice Marcelino et al. Atlas linguístico do Brasil. Londrina: Ed. UEL, 2014. 2 v. [v. 1: Introdução; v. 2: Cartas linguísticas].

CARDOSO, Suzana Alice Marcelino. Atlas linguístico de Sergipe II. Salvador: EDUFBA, 2005.

CHEERS, Gordon (dir.). Mitologia: mitos e lendas de todo o mundo. Tradução de Maria Isaura Morais. Austrália: Global Book Publishing PTY, 2003, p. 134.

COMITÊ NACIONAL DO PROJETO ALIB. Atlas Linguístico do Brasil. Questionários. Londrina: Ed. UEL, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa, 3. ed. Curitiba: Positivo, 2004.

FERREIRA, Carlota. et al. Atlas Linguístico de Sergipe. Salvador: Universidade Federal da Bahia; Aracaju: Fundação Estadual de Cultura de Sergipe, 1987.

FERREIRA, Vitória Regina Spanghero. In: OLIVEIRA, Dercir Pedro (org.). Atlas linguístico de Mato Grosso do Sul. Campo Grande: Editora UFMS, 2007. p. 251.

GARCÍA, Constantino; SANTAMARINA, Antón (dir.). Atlas lingüístico galego. Santiago de Compostela: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 2003. v. 5 [Léxico: Tempo atmosférico e cronolóxico].

REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Dicionário da Real Academia Española. Disponível em: https://dle.rae.es/. Acesso em 01/11/2019.

KOCH, Walter et al (ed.). Atlas linguístico e etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS). Porto Alegre: UFRGS; Florianópolis: UFSC; Curitiba: UFPR, 2002. 2 v. [v. I: Introdução, v. II: Cartas fonéticas e morfossintáticas.]

KOOGAN, A.; HOUAISS, A. Enciclopédia e dicionário ilustrado. Direção geral Abrahão Koogan; supervisão editorial, Antônio Houaiss. 3 ed. Rio de Janeiro: Seiffer, 1998.

LIMA, Fabiana Portela. Apresentação. In: OLIVEIRA, Dercir Pedro (org.). Atlas linguístico de Mato Grosso do Sul. Campo Grande: Editora UFMS, 2007. p. 7.

OLIVEIRA, Dercir Pedro (org.). Atlas linguístico de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, MS: Ed. UFMS, 2007.

RIBEIRO, José et al. Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura; Universidade Federal de Juiz de Fora, Casa de Rui Barbosa, 1977.

ROSSI, Nelson; FERREIRA, Carlota; ISENSEE, Dinah. Atlas Prévio dos Falares Baianos. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura; Instituto Nacional do Livro, 1963.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Guavira Letras