A língua portuguesa no RCNE/I: na vigência de um discurso de empoderamento do idioma oficial / The Portuguese language in the RCNE/I: in the validity of an official language empowerment speech

Selma Marques da Silva FÁVARO (FATEC/Jales), Celina Aparecida Garcia de Souza NASCIMENTO (UFMS/Três Lagoas), Claudete Cameschi de SOUZA (UFMS/Três Lagoas)

Resumo


A língua portuguesa no RCNE/I: na vigência de um discurso de empoderamento do idioma oficial

RESUMO: Ensejados pela Constituição de 1988 (BRASIL, 2017), os indígenas adquirem uma série de direitos até então inexistentes, relativos a diversos âmbitos, como ao educacional. Com ela, instaura-se uma política que busca a construção de uma (nova) escola aos povos indígenas, específica, diferenciada e de qualidade, com respeito à diversidade cultural, por meio de documentos como o RCNE/I. Em vista disso, questionamo-nos a respeito da constituição identitária desses povos em documentos oficiais, sendo  o objetivo deste artigo problematizar, no discurso do RCNE/I, a representação de língua portuguesa. Para isso, fundamentamo-nos na Análise de Discurso de Linha Francesa (AD), tendo como embasamento teórico-metodológico a Arqueogenealogia de Foucault. Para realizá-lo, recortamos três excertos do documento e os analisamos discursivamente. Os resultados mostram que o documento manifesta a voz da sociedade hegemônica por meio de um discurso de empoderamento do idioma oficial, sendo a língua portuguesa caracterizada como uma “necessidade” a esses povos, um “canal privilegiado”, “importante”.

PALAVRAS-CHAVE: AD. Discurso oficial. Língua portuguesa.

 

The Portuguese language in the RCNE/I: in the validity of an official language empowerment speech

ABSTRACT: Enforced by the 1988 Constitution (BRAZIL, 2017), indigenous people acquire a series of previously non-existent rights, related to various spheres, such as to education. It establishes a policy that seeks to build a (new) school for indigenous people, specific, differentiated and with quality, with respect to cultural diversity, through documents such as RCNE/I. In view of this, we questioned the identity constitution of these people in official documents, the purpose of this article is problematize, in the discourse of RCNE/I, the representation of Portuguese language. To do so, we are based on the French Line Discourse Analysis (DA), having as a theoretical-methodological basis the Foucault Archeogenealogy. To do this, we cut out three excerpts from the document and analyze them discursively. The results show that the document manifests the voice of the hegemonic society through a discourse of empowerment of the official language, the Portuguese language being characterized as a "necessity" to these people, a “privileged channel”, “important”.

KEYWORDS: DA. Official speech. Portuguese language.

 

La lengua portuguesa en RCNE/I: en la vigencia de un discurso de empoderamiento del idioma oficial

RESUMEN: En el marco de la Constitución de 1988 (BRASIL, 2017), los indígenas adquieren una serie de derechos hasta entonces inexistentes, relativos a diversos ámbitos, como al educacional. Con ella, se instaura una política que busca la construcción de una (nueva) escuela a los pueblos indígenas, específica, diferenciada y de calidad, con respecto a la diversidad cultural, por medio de documentos como el RCNE/I. Ante ello, nos preguntamos acerca de la constitución de identidad de estas personas en los documentos oficiales, siendo el propósito de este artículo discutir, en el discurso del RCNE/I, la representación de portugués. Para ello, nos basamos en el Análisis de Discurso de Línea Francesa (AD), teniendo como base teórico-metodológica la Arqueogenealogía de Foucault. Para realizarlo, recortamos tres fragmentos del documento y los analizamos discursivamente. Los resultados muestran que el documento expresa la voz de la sociedad hegemónica a través de de un discurso de empoderamiento del idioma oficial, en que lengua portuguesa es caracterizada como una "necesidad" a estos pueblos, un “canal privilegiado", "importante".

PALABRAS CLAVE: AD. Discurso oficial. Lengua portuguesa.


Texto completo:

PDF - P. 235-246

Referências


REFERÊNCIAS

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Dicionário escolar da língua portuguesa. 2.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/consti/1988/constituicao-1988-5-outubro-1988-322142-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em: 18 abri. 2017.

CARVALHO, Elma Júlia Gonçalves de. Diversidade Cultural e Gestão Escolar: alguns pontos para reflexão. Teoria e Prática da Educação, Maringá, v. 15, n. 2, p. 85-100, maio/ago 2012. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/TeorPratEduc/article/view/20181/10527. Acesso em: 15 set. 2016.

CÉSAR, América L.; CAVALCANTI, Marilda C. Do singular para o multifacetado: o conceito de língua como caleidoscópio. In: CAVALCANTI, Marilda; BORTONI-RICARDO, Stella Maris (Org.). Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas: Mercado de Letras, 2007. p. 45-66.

CORACINI, Maria José. A Celebração do Outro: arquivo, memória e identidade. Línguas (materna e estrangeira), plurilinguismo e tradução. Campinas: Mercado de Letras, 2007.

DERRIDA, Jacques. O monolinguismo do outro ou a prótese da origem. Tradução de Fernanda Bernardo. Belo Horizonte: Campo das Letras, 2001.

FERREIRA, Maria Cristina Leandro. Da ambiguidade ao equívoco: a resistência da língua nos limites da sintaxe e do discurso. Porto Alegre: Editora Universidade/UFRGS, 2000.

FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. 7.ed. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. 10. ed. São Paulo: Loyola, 2004.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.

JUSBRASIL. Artigo 231 da Constituição Federal do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10643688/artigo-231-da-constituicao-federal-de-1988. Acesso em: 10 mai. 2015.

MASCIA, Márcia Aparecida Amador. Investigações discursivas na pós-modernidade: uma análise das relações de poder-saber do discurso político educacional da língua estrangeira. Campinas: Mercado de Letras, 2003.

NÖTZOLD, Ana Lúcia Vulfe; BRINGMANN, Sandor Fernando. O Serviço de Proteção aos Índios e os projetos de desenvolvimento dos Postos Indígenas: o Programa Pecuário e a Campanha do Trigo entre os Kaingang da IR7. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais. V. 5, n. 10, p. 147-163, dezembro de 2013.

ORLANDI, Eni Pulcinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6.ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e leitura. Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1988.

RODRIGUEZ-ALCALÁ, Carolina. Políticas públicas de direito à língua e o consenso cultural: uma reflexão crítica. In: ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e políticas públicas urbanas: a fabricação do consenso. Campinas/SP: RG, 2010. p. 127-160.

SANTOS, Boaventura de Souza. A construção multicultural da igualdade e da diferença. Oficina do CES n.135, 1999.

SANTOS, Daniele L; SOUZA, Claudete Cameschi de. Pelos percursos históricos e linguísticos, o povo kinikinau. Anais do V Seminário América Platina. Dourados: UFGD, 2014.

SILVA, Denise; SOBRINHO, Maria de Lurdes Elias. Educação Escolar Indígena na Aldeia Cachoeirinha, Miranda-MS. In: ROSA, Andréa Marques; SOUZA, Claudete Cameschi de; SILVA, Denise (Orgs.). Povos Indígenas: mitos, educação escolar e realidade histórico-cultural. Campo Grande: Editora da UFMS, 2010. p. 57-74.

SILVA, Mariza Vieira da. A escolarização da língua nacional. In: ORLANDI, Eni (Org.). Política Linguística no Brasil. São Paulo: Pontes, 2007. p. 141-161.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa e André Pereira Feitosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

ZOPPY-FANTANA, Mónica G. Acontecimento, arquivo, memória: às margens da lei. Leitura- Discurso: História, Sujeito e Ideologia, n. 30, jul. 2002-dez.2002, p. 175-205.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Guavira Letras (PPG-Letras) - ISSN 1980-1858