Toponímia urbana da região do Imbirussu, Campo Grande/MS: registros ontológicos e cartográficos de áreas toponímicas / Urban toponymy of Imbirussu region, Campo Grande/MS: ontological and cartographic records of toponymic areas

Leticia Barbosa da Silva CAVALCANTE (IFMS), Aparecida Negri ISQUERDO (UFMS/CNPq)

Resumo


RESUMO: Este trabalho discute tendências temáticas evidenciadas na microtoponímia dos aglomerados urbanos (bairros e parcelamentos) e dos logradouros (ruas, avenidas, travessas...) da região urbana Imbirussu da cidade de Campo Grande/Mato Grosso do Sul. Essas tendências foram representadas por meio de mapas conceituais (ontologia) e de cartografia de áreas toponímicas sistemáticas e sistêmicas da região em análise. O estudo parte de um recorte da pesquisa de Cavalcante (2016), vinculada ao projeto Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS), que teve como fonte de dados os Arquivos Vetoriais sobre o planejamento urbano, disponibilizados pelo Grupo de Informática e Geoprocessamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, da Prefeitura Municipal. O corpus foi composto por 927 topônimos que nomeiam os sete bairros que compõem a região do Imbirussu; os 99 parcelamentos e os 821 logradouros que integram a região. A análise embasou-se nos princípios teórico-metodológicos da Lexicologia e da Toponímia, em especial no modelo teórico concebido por Dick (1990a; 1990b; 1996a, 1996b; 1999; 2002-2003; 2004). A pesquisa demonstrou que o recorte toponímico estudado aponta, dentre outros aspectos, para a identificação de áreas de motivação antroponímica, de designativos nacionais e internacionais transplantados e de topônimos relacionados à flora e à fauna.

PALAVRAS-CHAVE: Toponímia urbana. Campo Grande. Áreas toponímicas.

 

ABSTRACT: This work discusses the thematic trends evidenced in the microtoponymy of urban agglomerates (districts and allotments) and public roads (avenues, streets, crossings...) of Imbirussu, urban region of the city of Campo Grande, Mato Grosso do Sul State, Brazil. These trends were represented through conceptual maps (ontology) and cartography of systematic and systemic toponymic areas of the study region. The study is based on the research of Cavalcante (2016), connected to the Project Toponymic Atlas of the State of Mato Grosso do Sul (ATEMS) which had as data source Vector Files on urban planning, made available by the Computer and Geoprocessing Group of Local Department of Environment and Urban Development (SEMADUR), Campo Grande City Hall. The study corpus was composed by 927 toponyms that name seven districts which make up Imbirussu region; 99 allotments and 821 public roads that are part of the study region. The analysis was based on the theoretical and methodological principles of Lexicology and Toponymy, especially in the theoretical model conceived by Dick (1990a; 1990b; 1996a, 1996b; 1999; 2002-2003; 2004). The research pointed to, among other aspects, the identification of toponymic areas of anthroponymic motivation, national and international transplanted designations and toponyms related to flora and fauna.

KEYWORDS: Urban toponymy. Campo Grande. Toponymic area.


Texto completo:

PDF - P. 105-121

Referências


REFERÊNCIAS

ALMEIDA, G. M. B.; ALUÍSIO, S. M.; OLIVEIRA, L. H. M. O método em Terminologia: revendo alguns procedimentos. In: ISQUERDO, A. N.; ALVES, I. M. (Orgs.). Ciências do léxico: Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. 1 ed. Campo Grande/São Paulo: Editora da UFMS/Humanitas, 2007, v. III, p. 409-420.

BUAINAIN, M. S. C. N. Campo Grande: memória em palavras: a cidade na visão de seus prefeitos. Campo Grande: Instituto Municipal de Planejamento Urbano, 2006.

CABRÉ, M. T. La terminología: representación y comunicación: elementos para una teoría de base comunicativa y outros artículos. Barcelona: Institut Universitari de Lingüística Aplicada, 1999.

_____. Theories of terminology: their description, prescription and explanation. Terminology, v.9, n.2, p.163-200, 2003.

CAVALCANTE, L. B. S. Léxico toponímico urbano na cidade de Campo Grande/MS: região do Imbirussu. 2016. 272fl. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2016.

DICK, M. V. P. A. Toponímia e cultura. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, SP, 1987, p. 93-101.

_____. Atlas toponímico: um estudo dialetológico. In: Actas del XI Congreso Internacional de la Asociación de Lingüística y Filologia de la América Latina. Tomo III. Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, 1996a, p.2389-2396.

_____. A dinâmica dos nomes na cidade de São Paulo: (1554-1897). São Paulo: ANNABLUME, 1996b.

_____. Aspectos de etnolinguística - a toponímia carioca e paulistana - contrastes e confrontos In: REVISTA USP, São Paulo, n.56, p. 180-191, dezembro/fevereiro 2002-2003.

_____. Métodos e Questões Terminológicas na onomástica. Estudo de Caso: O Atlas Toponímico do Estado de São Paulo. In: Investigações Linguísticas e Teoria Literária. Recife, UFPE: v. 9, p.119-148, 1999.

_____. Motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: Arquivo do Estado, 1990a.

_____. Toponímia e Antroponímia no Brasil. Coletânea de estudos. 2ª ed., S. Paulo, Serviços de Arte Gráfica da FFLCH/USP, 1990b.

_____. Rede de conhecimento e campo lexical: hidrônimos e hidrotopônimos na Onomástica Brasileira. In: ISQUERDO, A. N.; KRIEGER, M. G. (Orgs.). As ciências do léxico: Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. Vol. II. Campo Grande, MS: Editora da UFMS, 2004, p. 121-130.

_____. Os nomes como marcadores ideológicos. In: Acta Semiótica et Linguística. São Paulo: Editora Plêiade, 1998.

_____. Fundamentos teóricos da toponímia: estudo de caso: o projeto ATEMIG – Altas Toponímico do Estado de Minas Gerais (variante regional do Atlas Toponímico do Brasil). In: SEABRA, M. C. T. C. (org). O léxico em estudo. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMS, 2006.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (livro +CD-Rom. Curitiba: editora Positivo, 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias: 2017 / IBGE, Coordenação de Geografia. - Rio de Janeiro: IBGE, 2017.

INSTITUTO MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO URBANO – PLANURB. Perfil Socioeconômico de Campo Grande/Instituto Municipal de Planejamento Urbano - PLANURB. 21 ed. rev. Campo Grande, 2014.

ISQUERDO, Aparecida Negri et al. Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul. Volume I. Campo Grande: UFMS, 2011 (inédito).

_____. O nome do município. Um estudo etnolinguístico e sócio-histórico na toponímia sul-mato-grossense. Revista Prolíngua. n.2, v.1, dezembro/2008. Disponível em: http://www.revistaprolingua.com.br/wp-content/uploads/2009/07/aparecida-negriisquerdo.pdf.

_____; SEABRA, M. C. T. C. Apontamentos sobre hidronímia e hidrotoponímia na fronteira de Mato Grosso e Minas Gerais. In: ISQUERDO, A. N.; BARROS, L. A. As ciências do léxico. Lexicologia, Lexicografia e Terminologia. v. V. Campo Grande: Editora UFMS, 2010, p. 79-98.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE. Câmara Municipal de Campo Grande. Legislações. Disponível em: http://www.camara.ms.gov.br/. Vários acessos.

_____. Mapoteca da SEMADUR. Disponível em: http://www.capital.ms.gov.br/egov/sisgran/geo/index.php?tabID=&campoID. Vários acessos.

SAMPAIO, T. O Tupi na Geographia Nacional. Memoria lida no Instituto Historico e Geographico de S. Paulo. São Paulo: Typ. da Casa Eclectica, 1901. Disponível em: http://biblio.etnolinguistica.org/sampaio_1901_tupi. Acesso em 15 maio 2016.

TIBIRIÇÁ, L. Dicionário Tupi-Português. São Paulo: Editora Traço, 1984.

ZAMARIANO, M. Cartografação de dados toponímicos no Brasil: perspectiva historiográfica. In: Revista do GELNE, Natal/RN, Vol. 14 Número Especial: 77-98. 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Guavira Letras (PPG-Letras) - ISSN 1980-1858