A natureza-morta: uma reflexão poética e fotográfica

Maria Adélia Menegazzo (UFMS)

Resumo


Nascida como um gênero da pintura holandesa do século XVI, a natureza-morta atendia tanto a um gosto meramente decorativo, quanto à necessidade de reflexões profundas sobre a efemeridade da presença humana no mundo. Enquanto vanitas, tinha como função lembrar que os prazeres e as aparências são passageiros; enquanto memento mori, induzia à reflexão sobre a vida e a morte, atingindo, em ambas, as formas e o caráter alegórico. Desde os primórdios da fotografia, o modelo é a pintura, e o tema da natureza-morta aparece tanto em clássicos como Talbot e Bayard, quanto nos modernos Rodtchenko e Cartier-Bresson. Na poesia modernista brasileira, já se tornou clássica a leitura de “Maçã”, de Manuel Bandeira, como uma natureza-morta cubista. Nosso trabalho pretende investigar as configurações que o tema encontra na poesia contemporânea de Ana Martins Marques e Paulo Henriques Brito, bem como em fotografias de Robert Frank e Francesca Woodmann e em vídeo de Sam Taylor Wood, enfatizando a permanência de seu caráter indicial, alegórico e narrativo. O aporte teórico vem de Benjamin (1984); Barthes (1984) e Rancière (2005; 2014).

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PDF -. p. 255-269

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