Flânerie melancólica em Crônicas de viagem de Cecília Meireles

Márcia Eliza Pires (UNESP)

Resumo


A leitura analítica das crônicas “Roma, turistas e viajantes”, “Museus de Paris” e “Felicidade” tem como objetivo demonstrar a incidência da flânerie em Crônicas de viagem da escritora Cecília Meireles.  A narradora personagem, representada pela figura do flâneur (aqui flâneuse), lança um olhar profundo e questionador sobre os seres e as coisas que se lhe apresentam durante seus passeios por espaços públicos. O caminhar lento e sem rumo é delineado por uma postura contemplativa, aspecto que motiva a inquietação e, como consequência, a sondagem metafísica. Dessa forma, consideramos que a flâneuse de Cecília Meireles é dotada de uma melancolia aristotélica, isto é, da melancolia em que a “bile negra” conduz à criação artística e ao conhecimento. No que tange à presença da poeticidade nos textos de Cecília Meireles, o referencial teórico de que nos valemos se fundamenta em críticos como Roland Barthes, Massaud Moisés, Todorov e Hugo Friedrich. Walter Benjamin subsidiou nosso estudo quanto à compreensão da figura do flâneur. Ainda que os temas desenvolvidos sejam marcados pelo questionamento existencial, concluímos que esse fator não depõe contra a graciosidade e a leveza. Nas crônicas de Cecília Meireles é possível a combinação entre singeleza e profundidade de ideias.

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PDF - p. 243-254

Referências


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